Não sei como expressar em dados percentuais (porque é sempre bom expressar informações em dados percentuais), mas acredito que nem a metade das pessoas no Brasil sabe que hoje é o Dia do Escritor.
Pois é! Às vezes deixamos de lado esses carinhas que nos ajudam a construir a nossa personalidade. É! Isso mesmo! Escritores são ótimos mestres. Cada linha que um escritor dedica a pensar e materializar nas páginas de um livro, blog, jornal etc. são o que de mais profundo ele pode extrair de sua própria vivência de mundo. Escritores são gurus que nos moldam segundo seu modo de ver a vida, mas que não nos prendem em seus dilemas.
Escritores são ótimos guias turísticos também. Seja no mundo real, ou em outros mundos, eles oferecem um ótimo serviço de guia ao nos mostrar cada segredinho dos lugares que visitamos.
Escritores são personagens de um universo sublime chamado literatura. São como anjos que adornam e protegem a sua existência.
É o amigo das horas tristes, alegres, tediosas, agitadas... A companhia ideal, pois está sempre disposto a nos contar algo novo.
Não vou me desgastar em dizer o que são, ou podem ser, os escritores. Quero apenas - como um escritor - parabenizar você leitor por nos dar energia para continuar sendo o que somos: Escritores!
Um Parabéns a todos os escritores que existem! O blog SUPER LEITURA deseja que vocês continuem a escrever, pois só assim este blog terá razão para existir!
Ontem o SUPER LEITURA esteve fazendo sua cobertura especial do 37º Guarnicê Festival de Cinema "Memória e Cinema Brasileiro", que está acontecendo em São Luís-Maranhão. Na oportunidade estive prestigiando a "terceira bateria" de curtas da mostra competitiva promovida pelo evento. Escolhi ir neste dia porque tinha certeza de que seria repleto de boas produções. Acertei em cheio! Na disputa...
Mahjong
Pierre Meireles (RJ)
Tormenta
Fernanda Salgado e Fernando Mendes (MG)
Vontade
Caio Menezes Graça de Carvalho (MA)
Dia Estranho
Flávio Rossi (SP)
Upaon-Açu, Saint Louis, São Luís...
Joaquim Haickel (MA)
Acorda
Leandro Guterres Ribeiro (MA)
Hotel Farrapos
Lisandro Santos (RS)
Ruas
Nayra Alburquerque Silva (MA)
De início devo manifestar minha insatisfação em relação ao poder de participação do público. Votar em um, repito: eu disse em UM ÚNICO FILME!, é irritante. De oito filmes bem produzidos, com roteiros excelentes, edições atrativas e identidades marcantes, escolher um é judiação. Como não poderia evitar de votar fiz minha escolha. O prestigiado: Hotel Farrapos.
frame do filme Hotel Farrapos (RS)
Vou logo explicando o porquê da escolha. "Hotel Farrapos" trata-se de uma animação criada para exprimir a realidade caricata do Feriado Farroupilha no Rio Grande do Sul. Girando em torno de uma personagem medíocre e sem planos percebemos em traços marcados e realistas a vivência da capital riograndense, Porto Alegre.
frame do filme Upaon-Açu,
Saint Louis, São Luís... (MA)
Aqui entra outra insatisfação. Dois filmes, dos oito em competição, eram animações. Não acho interessante avaliar Cinema de Fotografia com Cinema de Animação. Ao meu ver pareceu-me muito mais duas competições ao mesmo tempo. "Upaon-Açu, Saint Louis, São Luís..." do maranhense Joaquim Haickel era a outra animação exibida.
Quero aqui considerar que no meu íntimo houve empate técnico. O documentário maranhense "Ruas", dentre os outros também bem originais, é cativante ao retratar em edições sucintas e discursos bem elaborados personagens marcantes do cotidiano ludovicense: as ruas do centro histórico.
frame do filme Ruas (MA)
Não vou me perder em análise dos filmes. O que realmente quero é parabenizar aos cineastas pelo bom trabalho realizado. A competência das equipes de produção só ressaltam o bom empenho do brasileiro na cena fílmica. Um destaque para a produção local. Só na quinta-feira, dia 24, (quando compareci ao evento) a metade das produções exibidas eram maranhenses, o que fortalece o nosso cenário de cinematografia em busca de novos horizontes e possibilidades.
A exceção da "mistura confusa" entre os dois motes de cinema (Fotografia e Animação) tudo me pareceu muito bom. Desejo sorte aos demais concorrentes, mas acho que eles não precisam. Acredito que todos foram ótimas produções. Fico no aguardo do resultado e cheio de expectativa para o Guarnicê do ano quem vem.
Então vamos começar! O anime em questão no texto de hoje é SUISEI NO GARGANTIA. Um sci-fi onde o enredo vai além de máquinas e forças estrelares. A abordagem exclusiva de temas como a amizade, a coexistência entre as diferenças humanas e o amor permutam entre as personagens desse anime, que, para surpresa de todos, é uma peça original de TV sem nenhum predecessor em outra mídia.
TÍTULO: Suisei no Gargantia
ORIGINAL: exclusivo para TV (13 episódios + 2 OVAs)
ADAPTAÇÃO: não possui
AUTOR: Gen Uruboshi (roteiro) / Kazuya Murata (direção)
Um outro movimento curioso dentro do universo de produção de animes. Quem leu o ANIME ZONE do mês passado* viu que a gente começou a falar de adaptações de light novels. Suisei no Gargantia entra pelo caminho oposto do que estamos acostumados a consumir. Não existe mangá, não existe visual novel, não existe light novel, não existe game, muito menos j-drama que tenha sido o ponto de partida para a série animada de TV.
A animação nasce de um roteiro próprio, definido para o único propósito de ser um anime. Uma inspiração do diretor Kazuya Murata, que coloca toda a sua paixão por navios, oceanos, e pela raça humana, em um universo cyberpunk, montado a partir do mecha - gênero de mangá muito famoso entre as produções orientais - onde busca apresentar questionamentos sobre o constante progresso da humanidade em fatores científicos e as consequências que reverberam no convívio social.
Pode ser que eu esteja enganado, mas ao assistir Suisei no Gargantia temos um despertar do lado sensível que se esconde quando temas como o preconceito e a xenofobia são evocados a nossa volta. Se já somos esclarecidos sobre essas práticas repudiadas no convívio social, sentimos uma aproximação para com o protagonista Ledo, um ex-soldado espacial que se vê preso na nova Terra. Ledo era guiado por ideologias arianas e xenófobas. Cabia-lhe apenas obedecer. Com o passar dos episódios ele vai se tornando mais humano e adquirindo uma condição, que nós da vida real temos desde o nascimento: a sensibilidade para com meu próximo. Tudo isso ao lado de seu parceiro Chamber - uma I.A.(inteligência artificial) usada em combate.
Pode-se fazer uma alegoria ao "Mito da Caverna" de Platão. Ledo estava preso na caverna e guiado por aquilo que os líderes de seu povo constituía como verdade. Ao sair da caverna ele encontra luz (aqui representada pela protagonista Amy), que no início o cega e confunde, mas que com sua aceitação passa a ser venerada por ele.
Amy é uma personagem especial neste contexto. Em Gargantia (navio-cidade onde Ledo passa a morar) ele conhece diferentes tipos de pessoas, que representam os arquétipos das personalidades diversas assumidas pelo homem. A jovem Amy é a representação pura e sígnica da esperança. Aquela da "Caixa de Pandora". A única a não desistir jamais! Ela não desiste de si, dos amigos, e, principalmente, de Ledo com quem passa a dividir um sentimento bem mais forte que amizade.
Infelizmente Suisei no Gargantia não foi o fenômeno de público que se esperava. Chego a acreditar que muito dificilmente veremos uma segunda temporada, mas posso afirmar que em questões de design gráfico o anime não deixa a desejar em nada. Uma de suas mais interessantes surpresas é o fato de que todas as garotas de Gargantia, por estarem sempre expostas ao sol, são super bronzeadas, e isso é retratado com perfeição no design de personagens, que faz as belas reluzirem e esbanjarem beleza com corpos torneados e oleosos. Quanto ao universo mecha - a exceção do primeiro episódio - nada é tão exagerado como em outras produções. O gênero é dosado, assim como o movimento cyberpunk, o que faz com que o anime seja atrativo para todos os gostos.
O ANIME ZONE vai ficando por aqui! Se você gostou da dica deste mês não deixe de assistir! Para encerrar fiquem com a opening (abertura) de Suisei no Gargantia! Até a próxima!
O desafio de ler nacionais na verdade não parece ser um desafio. É tudo uma questão de ponto de vista. A palavra desafio remete a algo difícil de ser conquistado, que exerce empenho fora do comum. Mas eu (Saylon Sousa) administrador deste blog provo a cada dia que isso não é impossível. Entrei numa jornada nova. Sinto falta de consumir nacionais (clássicos e atuais), tanto que me aventurei pelos caminhos secretos da Biblioteca Central da UFMA a fim de encontrar "tesouros" da nossa tão surpreendente literatura.
Se disser para vocês que encontrei Machado de Assis em edições quase que centenárias... Mas vamos ao motivo deste LITERATURA EM XEQUE: "Tieta do Agreste" de Jorge Amado. Para ser mais preciso: TIETA DO AGRESTE, PASTORA DE CABRAS OU A VOLTA DA FILHA PRÓDIGA, MELODRAMÁTICO FOLHETIM E CINCO SENSACIONAIS EPISÓDIOS E COMOVENTE EPÍLOGO: EMOÇÃO E SUSPENSE!Como o próprio autor batizou.
O folhetim (como o próprio baiano esclarece nas linhas que escreveu) é um misto de comicidade, eroticidade, virtuosidade e demais "dades" que possa imaginar. Parábola moral e política que reelabora - em um viés brasileiro - o argumento da peça "A visita da velha senhora" (1956), de Friedrich Dürrenmatt. Escrito em 1977 Tieta do Agreste provou seu valor como destaque da literatura nacional ao conquistar espaço na TV e no Cinema. O que em terras tupiniquins são esforços avassaladores e sinônimo de louros de ouro para qualquer um.
Mas vamos comentar sobre esse trabalho de Jorge Amado, que, confesso, foi muito mais do que esperava.
1).Santana do Agreste: A cidade não é apenas um cenário. É um personagem! A forma como o enredo se desenvolve ao redor da pacata cidade do sertão dão uma dinâmica majestosa à leitura. Você conhece cada morador, rua e causos do pequeno povoamento. Imagina-se preso aquele lugar. Uma dica: se você não se dispõe a "andar" por entre as ruas e becos de Santana do Agreste, não entenderá o desenrolar da narrativa.
2).O Erotismo: Sim. O erotismo. Esse é um ponto alto para Jorge Amado. Não é só em Tieta do Agreste que percebemos isso. Em "Gabriela, cravo e canela", o baiano demostra seu apelo sexual para atrair leitores. Na obra em xeque isso é presenciado com todo o lado cômico que envolve as personagens e o autor (que por sinal é um safadinho). Afinal usar termos como 'xibiu' e 'ípslone' para descrever partes intimas e posições eróticas não só provocam aquelas sensações calorosas no leitor, que se impressiona com os detalhes de cena, mas também gargalhadas cheias de alívio.
3). O Autor: Sim. O autor. Jorge Amado é um entrosado. Ele sempre interrompe a narrativa para esclarecer possíveis dúvidas que acredita ter deixado no decorrer da leitura; para criticar/elogiar a atitude de alguma personagem; ou para conversar. Isso mesmo: conversar. Podemos dizer que existem duas histórias. A de Tieta e seus conterrâneos, e a do autor. Outra característica marcante do autor é sua paixão por hipérboles. Desde o título, aqui já citado, e os capítulos da narrativa percebe-se uma tendência por frases exageradas e cheias de comicidade.
Num livro onde putas são santas e heroínas, impera a originalidade de um brasileiro, que sedento de ver seu país retratado em linhas literária não se contém no abuso de usar expressões e comportamentos camuflados por todos. Ah literatura nacional! Por que é tão versátil?! O próximo LITERATURA EM XEQUE já está em processo de produção. Vamos deixar os clássicos de lado e analisar mais um jovem autor.