19 de ago. de 2013

Realidade e Ficção: A Geografia de As Crônicas de Gelo e Fogo e sua relação com o Mundo Real.

Como sabem sou um fã da literatura de fantasia. Contudo ainda não havia  reportado nada sobre um dos ícones desse movimento na atualidade: "As Crônicas de Gelo e Fogo". Pode parecer clichê dedicar linhas para falar sobre uma das séries que está entre uma das mais vendidas e mais comentadas no universo pop e crítico da literatura, mas seria ignorância de minha parte não deixar um comentário.

A bem saber, o Super Leitura é bem mais do que um blog de simples análise de livros e produtos audiovisuais. Comentar uma característica de um livro parece ser fácil, mas este blog procura tratar de assuntos que contenham um toque de curiosidade e, quem sabe, reflexão.

Todos que já leram os cinco livros disponíveis da série, ou assistem a adaptação de TV (nesse caso especificamente a abertura) deve notar a exaustiva preferência de George R.R. Martin por ressaltar as genealogias das Casas e personagens (seja quando escritor, ou como consultor de roteiro). Mas além disso há um elemento que digamos, convergem e despertam uma espécie de encanto: O mapa-múndi.


A leitura de "As Crônicas de Gelo e Fogo" é marcado pela presença firme do mapa nos relatos. Quem já leu até o terceiro volume deve conhecer, pelo menos, toda a extensão do fictício continente de Westeros.

Vemos aqui algo engraçado. Martin nos apresenta dois grandes continentes: Westeros e Essos. Ambos separados por uma fina faixa de mar: O Mar Estreito. E é aqui que entramos no xeque deste texto. É comum para todo e qualquer romancista, que trabalhe com fantasia, se apropriar de elementos pertencentes a condições históricas e geográficas presentes em nosso mundo.

Para Martin não é diferente. Os fãs da série espalham pela rede várias teorias sobre a constituição do mundo fictício da obra do autor. No site gameofthronesbr.com estão disponíveis muitas dessas teorias.

Há ideia de que a história (por ter uma proposta medieval) está ligada somente a Europa. No entanto nosso objetivo não é polemizar sobre as teorias. Como leitor (e puramente só como leitor) irei apresentar a minha concepção do mundo de "As Crônicas de Gelo e Fogo" retirando elementos históricos pertinentes para o continente americano.

Ao se aprofundar no que está registrado até o presente momento, temos dois enredos prontos a convergir: A guerra entre os senhores westerosis e a batalha sagrenta entre os senhores de escravos de Essos. O mapa do continente fictício, apresenta uma semelhança inconfundível com a América.

Um continente, que como a América, ocupa os dois hemisférios. Um continente, que antes de ser civilizado já tinha habitantes (Os Primeiros Homens). Ao fazermos o comparativo histórico, percebemos que se refere aos vários povos indígenas de nosso continente. O fato de uma parte do continente ser sempre fria (As Terras de Sempre Inverno), podemos assemelhar as características climáticas do Norte e da parte Anglo-Saxã da América. Os "Homens de Ferro" na história são piratas habitantes de um arquipélago no "centro" continental. Seriam eles uma referência ao momento histórico da pirataria no Atlântico, mas especificamente no Caribe? Pode ser que sim. No Sul, referências como Dorne equivale ao região de deserto na América do Sul; O Vale de Arryn e suas agremiações equivalem aos Andes; A Campina e o Tridente (maior rio do continente) A Amazônia e o Rio Amazonas; e até mesmo as Terras Pra lá da Muralha tem seu equivalente geográfico com a gelada Groelândia. São muitas as características geográficas que assemelham realidade e ficção. Quanto a contexto histórico, se analisarmos o enredo descobriremos que Westeros era habitado por um povo selvagem (Primeiros Homens) que se equiparam aos povos índigenas, e que este povo por muito pouco não fora extinto devido a colonização dos Ândalos (europeus) que vieram do continente de Essos e implementaram seus costumes e religião (Os cultos índigenas podem ser representados pelos deuses antigos - represeiros e a fé nos sete, o catolicismo).

Indo mais ao leste temos Essos. Geograficamente falando, a terra de onde partiram os Ândalos, corresponde ao velho Mundo. Europa, Norte /Noroeste da África e Oriente Médio se confluem neste continente fictício. Há ainda muitas coisas a serem relatadas sobre Essos, mas já podemos dizer que Valíria (antigo império do continente) corresponde a um grande domínio europeu da Idade Média; A Baia dos Escravos (local onde encontramos Daenerys Targaryen) corresponde a costa africana onde o tráfico de escravos da época do descobrimento da América e grandes navegações; A cidade de Meeren com suas pirâmides são o Egito e etc.

Ainda existem segredos em Essos a serem revelados. Com eles mais semelhanças com a realidade no que diz respeito a geografia e a história. Não podemos esquecer de Qarth e o Mar de Jade, que embora não tenham aparecido por completo nos mapas, já nos apontam como a leitura que George R.R. Martin fez sobre o Extremo Oriente e as civilizações misticas da Índia, China e Japão que se encontram em suas histórias em um único nome: As Terras das Sombras de Asshai.

Essa é minha super leitura sobre esse elemento narrativo que se tornam imprescindíveis para a história cheia de drama e revelações de "As Crônicas de Gelo e Fogo". Isso prova o que já afirmei, sobre como escritores se apropriam de fatos existentes e constroem narrativas fabulosas como este romance norte-americano.


Até a próxima!!!

10 de ago. de 2013

Um beijo mais que romântico.


O Super Leitura trás hoje uma análise compacta da série que está sendo motivo de comentários entre os amantes de literatura juvenil (me encaixo entre eles): "Beijada por um Anjo". A saga é de autoria de Elizabeth Chandler (pseudônimo de Mary Claire Helldorfer).
A saga conta a história de amor entre Ivy  e Tristan, que depois de um acidente de carro morre e se torna uma espécie de anjo com a missão de proteger sua amada das mãos de seu irmão de criação Gregory.
A editora Novo Conceito responsável por sua publicação no Brasil tem, com toda certeza, agradecido a Deus pelo sucesso da série no país. A história que é de 1994/1995, nasceu com a ideia de uma trilogia, e hoje tem seu sexto livro lançado. Curiosidades do destino, pois Elizabeth só seguiu a série devido ao sucesso da trilogia em seu país (Estados Unidos) e fora dele, é claro.
Uma história cheia de romances indecisos, amores dolorosos e com a carga dramática em nível altíssimo. Essa é a característica de toda história do gênero de literatura juvenil. Romances como a saga Crepúsculo (Stephenie Meyer) e a saga Fallen (Lauren Kate) refletem bem do que estou falando. Seria esse um dos motivos de estarem entre os mais vendidos atualmente. No entanto "Beijada por um Anjo", acredito que trás um quê de diferente para o envolvimento do leitor com a narrativa. O que quero dizer com isso? Vejamos.
              1. Assim como muitas outras histórias do gênero literário, o envolvimento com o sobrenatural acaba sendo um atrativo para a leitura, que não se prende aos dizatinos da protagonista Ivy Lions que desperta emoções diversas no leitor;
              2. Devido ao fato de que há sempre aquele momento em que quem lê se pega odiando ou amando o comportamento de Ivy, ou de Tristan, criamos um forte laço de respeito pelos demais personagens do enredo (como é o caso dos personagens Will e Beth).
             3. A forma como a história se desenrola permite que quem leia transmita suas emoções para além das linhas impressas. A forma como a amizade e o amor são retratados despertam os sentimentos escondidos no mais profundo do coração dos leitores.
Acredito que esses três pontos é que diferenciam "Beijada por um Anjo" dos outros romances. Por muitas vezes as histórias perdem o fôlego no desenrolar do enredo, mas na história de Elizabeth Chandler, como sabemos que tudo deveria ter sido um trilogia, não os seis livros como vemos, podemos dizer que a cada três temos uma história completa (algo como temporadas de um seriado). Por isso não existe essa preocupação em sentir que está se fazendo uma leitura monótona, pois no primeiro momento existem dramas e preocupações pertinentes aquela determinada fase. Ou seja, de cara nos identificamos com alguns dos personagens e torcemos por eles. Quando isso muda, há outros dramas, novos personagens e sim, uma nova apropriação dos membros da narrativa. Não precisamos manter aquela ideia inicial sobre personagens e o desenrolar da história. 
Acredito que isso é o que a autora quer: Que não leiamos um romance apenas para saber como termina, mas sim para sentir as dores da relação existente entre ele e o leitor.
Quem leu "Beijada por um Anjo" com certeza é apaixonado pela série. Já quem ficou curioso pela leitura fica a dica: Leiam e descubram que romances podem ser dramáticos mais com um toque de interação extra sentimental.

"P.S.: Essa postagem vai com uma dedicatória especial para Maria Luíza Ferreira (Malu) minha amiga e colega de curso na UFMA, que assim como eu, às vezes tem vontade de matar a Ivy devido aos seus surtos de amor eterno."

1 de ago. de 2013

Parabéns a Literatura de Cordel


Para quem não ficou sabendo, hoje (01/08/2013) comemora-se o dia da literatura de cordel Quem não conhece tem que saber que literatura de Cordel é uma modalidade impressa de poesia, que já foi muito estigmatizada mas hoje em dia é bem aceita e respeitada, tendo, inclusive, uma Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Devido ao linguajar despreocupado, regionalizado e informal utilizado para a composição dos textos essa modalidade de literatura nem sempre foi respeitada, e já houve até quem declarasse a morte do cordel.
No dia de hoje, por todo o país foram realizadas homenagens àqueles que mantêm viva essa tradição. 
Uma das características desse tipo de produção é a manifestação da opinião do autor a respeito de algo dentro da sua sociedade. Os cordéis não tem a característica de serem impessoais ou imparciais, pelo contrário, na maioria das vezes usam várias técnicas de persuasão e convencimento para que o leitor acate a ideia proposta.

Espera-se o a literatura de cordel continue garantido seu espaço entre os gêneros literários deste país. Um parabéns a todos os mestres do cordel!

Alunos do curso de Comunicação da UFMA realizam mostra de vídeos e fotos.


Na tarde de terça-feira (30/07/2013) alunos do curso de Comunicação Social da UFMA (Universidade Federal do Maranhão) realizaram uma espoxição fotográfica como atividade de encerramento do período letivo. Além das fotografias, os estudantes também participaram de uma mostra de curtas, onde ficção, documentário e programas de TV roubaram a cena.
Essa atividade foi uma organização da professora Patrícia Azambuja, que ministra as disciplinas de "Direção de Fotografia" e "Direção de Arte e Cenografia". A exposição, intitulada Intuições, foi o resultado do trabalho dos alunos durante o semestre de aulas.
Uma das fotos em exposição (Autor: Jefferson Saylon)
Um bate-bapo com as fotógrafas Carolina Guerra Libério e Jane Maciel encerrou a tarde. As duas conversaram um pouco sobre o tema "Fotografia entre a técnica e a intuição". Ambas são egressas da própria UFMA e trouxeram um pouco de sua experiência aos alunos atuais.
Um recado que ficou marcante durante a exposição foi o de que a vida profissional dos estudantes se revela quando estes conseguem realizar um evento do nível de uma exposição.
Quem quiser conferir as fotos, basta ir ao Centro de Ciências Sociais do campus da UFMA em São Luís, no bloco B.